"O acto de imaginação é um acto mágico. É um sortilégio destinado a fazer surgir o objecto em que se pensa, a coisa que se deseja, de forma a dela se apossar."
Jean Paul Sartre
Quem não se lembra de em pequenino gostar que lhe lessem histórias? As histórias transportavam-nos a um imaginário sem fim, onde tudo acabava em bem.
Hoje em dia, o não ter tempo para nada apoderou-se da hora de contar histórias e esta prática foi perdendo o seu caminho. Nos nossos dias poucas crianças têm o privilégio de ouvir histórias em casa, contadas pelos pais ou pelos familiares mais próximos. Não nos lembramos que a exposição à leitura de histórias no seio familiar durante os primeiros anos da infância leva muitas crianças ao sucesso escolar. Assim, o Jardim-de-Infância tem-se tornado um importante caminho para a criança poder ouvir e (re)contar histórias.
Esquecemos, muitas vezes, que através das histórias a criança forma o gosto pela leitura, entra no mundo do faz-de-conta, enriquece o seu vocabulário, amplia o mundo de ideias e conhecimentos, desenvolvendo a linguagem e o pensamento.
As histórias estimulam a atenção, a memória, a sensibilidade, ajudam a resolver conflitos emocionais e estimulam o imaginário da criança. A história abre também espaço para a alegria e o prazer de ler, compreender, interpretar a si próprio e à realidade que nos rodeia, portanto, vamos ler histórias às nossas crianças.
Deixo-lhes um texto que uma professora partilhou comigo:
“Ainda criança,
Maravilhei-me com os contos de fadas
E todos os outros;
Tive medo com “O Capuchinho Vermelho”,
Esperei com a Bela Adormecida”,
Ansiei por melhores tempos com a princesa “Pele-de-Burro”,
Vivi na Terra do Nunca, com Peter Pan.
Já adulta(o), continuei a maravilhar-me,
Com os contos de fadas e todos os outros,
E amadureci;
Aprendi com o Capuchinho Vermelho a vencer o medo,
Com a Bela Adormecida a crescer,
Com a princesa Pele-de-Burro a esperar a felicidade,
Com Peter Pan a sonhar.
Dentro em breve, maravilhada(o)
- ainda e sempre –
E amadurecida (o),
Espero saber recusar o medo,
A subjugação e a tirania,
Mas também a visitar,
Através da magia das palavras dos livros
- de todos os livros –
A Terra do Nunca, cada vez que eu quiser”.
Texto escrito pela Professora de Literatura para a Infância
Leonor Riscado
Sofia Andrade
In Jornal "A Noz"