A depressão na criança foi muitos anos ignorada pois acreditava-se que esta ocorria exclusivamente em adultos. No entanto, hoje é mais facilmente aceite que esta ocorra na criança e, logo, mais fácil de ser diagnosticada. É de realçar que a depressão poderá surgir logo na primeira infância e é possível diagnosticá-la a partir dos 6 meses de idade visto que nesta fase a criança com depressão poderá ter frustrações precoces e graves, ocorridas ou não no meio familiar, como é o caso das separações, a fraca qualidade do investimento afectivo…
Portanto, nos bebés a depressão manifesta-se, geralmente, por alterações dos padrões normais de desenvolvimento, baixo interesse pelo exterior, irritabilidade fácil…
Em crianças mais velhas podemos observa mudanças de humor, podendo encontrar-se tristes e facilmente irritáveis, surgindo também o choro por motivos que aparentemente não têm compreensão. É também frequente a criança perder o interesse por algumas actividades que antes gostava de realizar, como por exemplo: a brincadeira com os amigos, as tarefas do dia-a-dia, recusando-se e pedindo para mudar de actividade, desvaloriza-se a si própria, utilizando mesmo as expressões “Ninguém gosta de mim!”, “Não consigo fazer!”, não faço nada bem!”.
A depressão na criança poderá, por um lado, estar associada ainda outras queixas como dores de cabeça, aperto no peito, falta de ar, dificuldade de sono, falta de apetite e diminuição da atenção. Por outro lado, quando a criança está deprimida, não se sente amada, diz que as pessoas não gostam dela, desvalorizando-se a si própria. Em algumas crianças poderá existir a vontade de morrer, um desejo de ausência para não incomodar os outros, ou simplesmente um desejo de mudar de vida.
Nesta fase é importante que o jardim-de-infância e os pais estejam disponíveis para ouvir a criança, tentar compreender os seus motivos e valorizar as coisas que a criança faz, até mesmo as que nos parecem pequenas coisas.
Assim, para que o desenvolvimento da criança não fique comprometido e marcado ao longo da sua vida, é urgente e necessário que os pais estejam atentos à “linguagem” da criança, pois existem alguns sinais que devemos estar alerta.
Sofia Andrade
In Jornal "A Noz"